quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Eu me esqueci no armário.
Pensei estar vivendo
estudando, trabalhando, sendo!
Pensei ter amado e odiado
aprendido e ensinado,
fugido e lutado,
confundido e explicado
Mas hoje, surpreso,
me vi no armário embutido
calado, sozinho perdido, parado

Fabio Rocha


ser mulher é pra sempre uma pergunta indiscreta e sem resposta

estamos à sua busca na deriva de nossas vidas

estamos á sua espera no silencio dos cantos

no silencio das esquinas onde paramos sem saber por que caminho seguir


img: the royal art lodge
'rex was a two-fisted man
who drank like a fish
and look like a purple gargoyle.
he married three
before he found one
and they hollered over cheap gin,
were friendless
and satified.
and frightened the landlord.
she holllered plenty
and he would listen dully,
then leap up red with choice words.
and then she began afain.
it was a good life.
soft and fat like summer roses.'

o velho

Meu Deus, me dê a coragem

Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
o meu pecado de pensar.


Clarisse
sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas as coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? dolorido-dolorido, estou repetindo devagar para que você possa compreender melhor.


Caio. Para uma avenca partindo, O ovo apunhalado.
"... então me vens e me chegas e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para liberar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida, que nada devo esperar além dessa máscara colorida, que me queres assim porque é assim que és e unicamente assim é que me queres e me utilizas todos os dias, e nos usamos honestamente assim..."

caio. à beira do mar aberto, em os dragões não conhecem o paraíso

.o que retalha os sentidos é sentir.

.pesa. dói. quebra em bilhões de pedaços a mente. o amor acumula cortes. gosta de ver sangrar quem entrega a alma às permissões. estúpido em seus pactos corrompidos. sujo em suas pseudo transparências. é tudo um amontoado de tentativas sem vontades verdadeiras. tentativas sem convicção. e eu, que queimo no escuro e fundo inferno de minhas intensidades, caminho pelas lâminas com o peito aberto para os golpes. estou farto de ser assim tão absoluto. de servir de objeto de admiração e distância. sempre como uma excentricidade. sempre como uma anomalia louvável e exótica. dessas que toda gente se espanta mas que mantém a um distância segura. me esparramo pelo dia como uma noite que não reconhece o amanhecer. cato as estrelas que despencam dos meu olhos em fúria e as vomito na cara dos que dizem "ainda não". tenho a marca dos que não cessam. dos que queimam, queimam, queimam, como dizia kerouac. o que há que possa ser diferente?. todos tem uma natureza. a minha é esse excesso. e essa extrema resistência à morte da poesia nos meus poros. mais tolo por acreditar nas impossibilidades. mais frágil por festejar seus limites. mais incendiário por confessar seus sentidos. cão sem dono esse pasmar de dias. censurável o desejo que na pele pulsa límpído e lascivo. ingênuo o vociferar das vontades cometidas. não fui feito pra esse tempo de sentimentos medianos. sou aqui. sou agora. sou já.


paulo amoreira