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terça-feira, 25 de outubro de 2011

imbecil



"A poesia está guardada nas palavras – é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as
insignificâncias ( do mundo e as nossas ).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado e chorei.
Sou fraco pra elogios".

Manoel de Barros




a proposito do video: #OcupaRio
via Edinardo Lucas


img: The Science os Sleep

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

esperança



"O que faz da esperança um prazer tão intenso é que o futuro, que está à nossa disposição, nos surge, ao mesmo tempo, sob uma imensidão de formas igualmente risonhas, igualmente possíveis. Ainda que a mais desejada se realize, é preciso sacrificar as outras, e teremos perdido muito. A ideia do futuro, prenhe de uma infinidade de possiveis, é, pois, mais fecunda do que o próprio futuro, e é por isso que há mais encanto na esperança do que na posse, no sonho do que na realidade."

Henri Bergson, Ensaio sobre os dados imediatos da consciência.

roubado do Saulo Nogueira Schwartzmann
(me lembrou rubem alves :)

terça-feira, 16 de agosto de 2011

boiam leves, desatentos



Boiam leves, desatentos
Meus pensamentos de magoa,
como no sono dos ventos,
As algas, cabelos lentos

Do corpo morto das aguas.
Boiam como folhas mortas,
A tona de aguas paradas.
São coisas vestindo nadas,

Pós remoinhando nas portas
Das casas abandonadas.
Sono de ser, sem remadio,

vestigio do que não foi,
Leve mágoa, breve tédio,
Não sei se para, se flui;
Não sei se existe ou se dói.


Fernando

roubado da teté

img: biel carpenter

quinta-feira, 28 de julho de 2011

lonely



. é impossivel, percebo eu, penetrar a solidao de alguém. se é verdade que podemos conhecer outro ser humano, mesmo que em grau reduzido, é apenas na medida em que ele deseja se deixar conhecer... onde tudo é intravavel, tudo é hermético e evasivo, nao se pode fazer mais que observar. mas se há possibilidade de deduzir algo do que se obeserva, é um assunto completamente diferente. nao quero deduzir nada.

paul auster

roubado da stelinha


img: margot & richie, dos excentricos tenembauns - wes anderson

your life is your life




your life is your life
don’t let it be clubbed into dank submission.
be on the watch.
there are ways out.
there is a light somewhere.
it may not be much light but
it beats the darkness.
be on the watch.
the gods will offer you chances.
know them.
take them.
you can’t beat death but
you can beat death in life, sometimes.
and the more often you learn to do it,
the more light there will be.
your life is your life.
know it while you have it.
you are marvelous
the gods wait to delight
in you.


charles


roubado da ana carolina n.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

um supremíssimo cansaço


O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser…

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto…
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço


álvaro

poema roubado da ericô

quarta-feira, 20 de abril de 2011

apagar-me


em curitiba, roubada da rani beibe

domingo, 11 de julho de 2010

A Rua dos Cataventos


Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.

Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.

Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arracar a luz sagrada!

Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!

M. Quintana


Poemoa roubado do Tiago
Img: Amanda Rocha/ Bnqnh
Performer: Rani Beibe

sábado, 14 de novembro de 2009

love is a fire

Love is a fire
It burns everyone
It desfigures everyone
It is the world´s excuse
for being ugly

Leonard Cohen

roubada da amanda

domingo, 8 de novembro de 2009

lebensäusserung



"(...) Pressupondo o homem como homem e seu comportamento com o mundo enquanto um [comportamento] humano, tu só podes trocar amor por amor, confiança por confiança etc. Se tu quiseres fluir da arte, tens de ser uma pessoa artisticamente cultivada; se queres influência sobre outros seres humanos, tu tens de ser um ser homem que atue efetivamente sobre os outros de modo estimulante e encorajador. Cada uma das tuas relações com o homem e com a natureza tem de ser uma externação (Äusserung) determinada da vida individual efetiva correspondente ao objeto da tua vontade. Se tu amas sem despertar amor recíproco, isto é, se teu amor, enquanto amor, não produz amor recíproco, se mediante tua externação de vida (Lebensäusserung) como homem amante não te tornas homem amado, então teu amor é impotente, é uma infelicidade. (...)"

in: MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos. São Paulo: Boitempo Editorial, 2004, p. 161

roubado do regis

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

existir por existir

'E assim, todos faziam tudo igual. Todos viveram do mesmo modo, apesar das diferentes idades. Pessoas morriam, por um dia choravam. Pessoas nasciam, por um dia festejavam. Havia uma linha a ser seguida, e ninguém nunca ousou sair do padrão. Se vestiam do mesmo modo, comiam e ouviam as mesmas coisas. As máscaras eram sempre as mesmas, cheias de moralidade ao avesso, valores teóricos.
E assim, castelos foram construídos em cima de erros egocêntricos. Riquezas foram acumuladas em vão, nítida mesquinhes. O amor era facilmente domado por interesses e conveniência. Era amor?
E assim, todos existiram felizes para sempre. E isso, de nenhum valor tem. Existir por existir é o mesmo que a própria morte. Existir por existir é como sobreviver a espera do fim. Uma vida sem sentido, faces da mentira.'

http://antigautopia.blogspot.com/2008_06_01_archive.html

roubada da stela, à dosto

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Em quatro dias eu estaria seco. E seria um retorno, na realidade. Por que no primeiro, fui pego de calças curtas. Me puxaram pelas canelas pra eu ficar de pontacabeça. Mas é como fazem com as galinhas após o abate. Elas, se soubessem como é difícil administrar todo o sangue na esfera do crânio ainda vivo, duvido que fariam tanto escândalo. Mais fácil é deixar-se ser decepado e dar vazão ao vermelhoespesso. No segundo, tentei colocar tudo em ordem, ainda que continuasse pendurado pelas pernas. Até escolher a Ordem que mais me convinha, perdi um certo tempo. Daí, passei a fazer uso das mãos, ouvidos e até dos olhos apesar de tanto desconfiar deles. As narinas não pude usar, por que elas logo se revelaram um duto rigoroso. Pelas minhas narinas eu me coloquei do lado de fora. Esparramei-me pela terra úmida tornando-a um tanto mais germinável. Que espécie vegetal nascerá dali? Com o terceiro dia, quis acreditar que eu podia muito. Um pêndulo tem toda a liberdade desse mundo, dentro dos limites que a corda e ar dão... Eu me arrisquei um pouco. Balancei. Senti o vento. O impulso, evidente, vinha de meu abdômen, que como uma usina, agia dando movimento aos fluidos de meu corpo. Mais sangue pelas narinas. Amanheceu. Eu quis ser original. Mas estou indisposto. Pois não fui sendo ressecado nos últimos dias?

e.m.

fragmento

tenho lido algumas primeiras páginas de grandes clássicos que compro e assento na prateleira. veja bem, eu os compro.
tenho pretendido assistir alguns títulos bastante instigantes do cinema oriental. quase sinto saudades da família. consigo tecer grandes e eloqüentes diálogos, com curto prazo de validade.
uma sucessão de metades é a minha rotina, o que não é necessariamente dramático. A não ser pelo fato de eu acabar conhecendo - sempre e apenas - os primeiros atos, os primeiros tempos, a primeira idade das coisas e dos homens.
pudesse olhar de perto os desfechos, tateá-los, prová-los, excecrá-los, degluti-los, talvez desenvolvesse um senso geométrico mais refinado ou mesmo se revelaria em mim uma vocação vibrante para a culinária, para o automobilismo.
mas ao que tudo indica, não será assim. parece que preciso é me acomodar na margem de cá e tentar fisgar no ar os contornos revelados pelos ecos de meu próprio grito.

e.m.

domingo, 27 de setembro de 2009

'deus nao lhe servia para nada, a nao ser para afasta-la dos Homens e torna-la só. ela nao queria deixar os Homens. por isso, começou a chorar'

stela

sexta-feira, 23 de maio de 2008


Por hoje é só
um pé descalço
um samba mudo e imaginado
uma vida morna
meio sem graça
dias incolores
ânsias abdominais de calores.

Sorrio a saudade de um membro impositor
Choro por um corpo palhaço
abandonado em lonas promocionais
Planejo uma fuga

Qualquer hora também embarco
para cheirar madeira velha de vagões
beber vinhos chilenos
envelhecer brindando soluços
abraçada uma pelúcia embolorada
esquecida de armários maternos.


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Todas as coisas de que falo estão na cidade
São todas elas coisas perecíveis e eternas como o teu riso
a palavra solidaria, a minha mao aberta
ou este esquecido cheiro de cabelo que volta...
Todas as coisas de que falo são de carne como o verão e o salário.
Mortalmente inseridas no tempo,
estão dispersas como o ar no mercado, nas oficinas, nas ruas, nos hotéis de viagem.
São coisas, todas elas, cotidianas, como bocas e mãos, sonhos, greves, denúncias, acidentes do trabalho e do amor.
Coisas, de que falam os jornais às vezes tão rudes ás vezes tao escuras
que mesmo a poesia as ilumina com dificuldade.
Mas é nelas que te vejo pulsando, mundo novo
ainda em estado de soluços e esperança.


(F.G)

roubado da stelinha
img: bear abstract