sábado, 21 de junho de 2014

teu segredo

"Teu segredo é tão parecido contigo que nada me revela além do que já sei. E sei tão pouco como se o teu enigma fosse eu. Assim como tu és o meu."

Clarisse

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

sobre a caridade

"Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso, eu amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo, que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade."

paulo freire

o tesouro mais precioso que temos




"é possível falar de solidariedade e que 'estamos todos juntos' em uma economia baseada na concorrência impiedosa? até onde chega a nossa fraternidade?

a grande crise não é ecológica, é política.

não se trata de retornar para os dias do homem das cavernas ou ter um 'monumento ao atraso' mas não podemos continuar indefinidamente sendo governados pelo mercado. e, sim, temos de governar o mercado.

pobre não é o que tem pouco, mas o que necessita de infinitamente muito e deseja e deseja mais e mais.

mas devemos perceber que a crise da água e a agressão ao meio ambiente não são a causa. a causa é o modelo de civilização que nós construímos. e nos temos que rever o nosso modo de vida.

meus amigos trabalhadores lutaram arduamente para conquistar direito às máximas 8 horas de trabalho. e agora estão conseguindo o direito às 6 horas. mas aqueles que conseguiram 6 horas precisam agora ter dois empregos, portanto, trabalham mais do que antes porque? porque têm que pagar uma infinidade de contas. a motocicleta que comprou, o automóvel que comprou e para contas e paga contas. e quando quer acordar, é um velho reumático como eu. e se passou a vida. e um se fará esta pergunta: este é o sentido da vida humana? essas coisas que digo são muito elementares. o desenvolvimento não pode ir contra a felicidade. tem que ser a favor da felicidade humana, do amor ao planeta, às relações humanas, do amor aos filhos, de ter amigos, de ter o elementar. precisamente, porque este é o tesouro mais precioso que temos."

josé pepe mojica, presidente do uruguay, na Rio +20 - 2012


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Presença

 
É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente no ar, a trevo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.
 
quintana

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

I'll Try Anything Once



Ten decisions shape your life
You'll be aware of five about
Seven ways to go trough school
either you're noticed or left out
Seven ways to get ahead
Seven reasons to drop by

And I say, I can see me in your eyes
You said, i can see you in my bed
That's not just friendship, that's romance too
You like music, we can dance to

Sit me down
Shut me up
I'll calm down
And I'll get along with you

There is a time when we all fail
Some people take it pretty well
some take it all out on themselves
Some, they just take it out on friends
Oh everybody plays the game
And if you don't, you're called insane

Don don don don't it's not safe no more
I've got to see you one more time
Soon, you were born in 1984

Sit me down
Shut me up
I'll calm down
and I'll get along with you

Everybody was well dressed
Everybody was a mess
Six things without fail you must do
so that your woman loves just you
Oh all the girl played mental games
and all the guys were dressed the same

why not try it all?
if you'll only remember it once


Sit me down
Shut me up
I'll calm down
And i'll get along with you

Ok, one more time.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

elogio à vagareza (para poucos)



eu sou O CARA QUE CHEGA PRA TOMAR CAFÉ BEM NO MEIO DA HORA DO ALMOÇO. mais do que querer um pão limpo numa chapa cheia de bifes medidos, ou a atenção de uma média clara e bem tirada do cara que está no modo servir um monte de sanduíches e salgados sórdidos pros apressadinhos, o que nos opõe é meu olhar de desprezo por quem ALMOÇA NA HORA DO ALMOÇO, porque (NÃO) ACORDOU NA HORA EM QUE TODO MUNDO (NÃO) ACORDA. de trás da minha média (razoável o suficiente para recriar a manhã), eu olho o mundo e essa cambada de almoçadores ao meio-dia não com pena, mas com raiva por eles serem assim tão lamentavelmente sincronizados, poluindo as ruinas onde moro com a FALÁCIA DE QUE O MUNDO AINDA NÃO ACABOU. e então estico a manhã mais ainda, até o meio da tarde, para começar o dia olhando o congestionamento zumbi, os ternos suados e os cérebros derretendo de cima. um citadino com cotidiano de camponês vive no pior de dois mundos, aquele onde se planta dinheiro e se colhe faustão (NÃO HAVIA UM ANTICRISTO MAIS EMOCIONANTE?), aquele que não serve pra nada. quando a muvuca acaba, e os primeiros humanos não-sincronizados começam a surgir, progressivamente mais barulhentos (putas, emos, policiais de elite), agradeço a MALUF por, em seu delírio, ter construído as ruínas onde habito e as que delineiam o horizonte, e finalmente penetro no paradoxo. (os sincronizados rolam na cama, preparando-se para o momento em que [não] acordarão e se arrastarão para fora de novo, de novo, de novo, de novo). EU ACARICIO OS PÉS DE UMA NIFETA EM SONHO. quando levanto, sorrindo, eu sou O CARA QUE CHEGA PRA TOMAR CAFÉ BEM NO MEIO DA HORA DO ALMOÇO. de trás da média (razoável o suficiente), eu esboço um meio sorriso. afinal sou bem sortudo, um daqueles que o supremo roteirista escolheu para escapar de ser zumbi neste filme.


por alex antunes

img: Les Cités Obscures, de Benoît Peeters e François Schuiten

domingo, 27 de novembro de 2011

st mary




Blanket me sweet nurse
And keep me from burnin'
I must get back to the woods dear girls
I must get back to the woods

In the bloody elevator
Rising for their first cup of tea of the day
When does sky turn into space
And air into wind?

The only things I really need
Is water, a gun, and rabbits
Let me rest my fevered cheek
Upon your warm sweet bellies

In the bloody elevator going to the bright theater now
Come on boys
Please let me taste the clean dirt in my lungs
And moss on my back

joshua



http://conradroset.blogspot.com

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Os Três Mal-Amados



Joaquim:



O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.


João Cabral


"Os Três Mal-Amados", em "João Cabral de Melo Neto - Obras Completas", Editora Nova Aguilar S.A. - Rio de Janeiro, 1994.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

imbecil



"A poesia está guardada nas palavras – é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as
insignificâncias ( do mundo e as nossas ).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado e chorei.
Sou fraco pra elogios".

Manoel de Barros




a proposito do video: #OcupaRio
via Edinardo Lucas


img: The Science os Sleep

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

esperança



"O que faz da esperança um prazer tão intenso é que o futuro, que está à nossa disposição, nos surge, ao mesmo tempo, sob uma imensidão de formas igualmente risonhas, igualmente possíveis. Ainda que a mais desejada se realize, é preciso sacrificar as outras, e teremos perdido muito. A ideia do futuro, prenhe de uma infinidade de possiveis, é, pois, mais fecunda do que o próprio futuro, e é por isso que há mais encanto na esperança do que na posse, no sonho do que na realidade."

Henri Bergson, Ensaio sobre os dados imediatos da consciência.

roubado do Saulo Nogueira Schwartzmann
(me lembrou rubem alves :)

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Do amor (3)


Que é que eu penso do amor? — Em suma não penso nada. Bem que eu gostaria de saber o que é, mas estando do lado de dentro, eu o vejo em existência, não em essência. O que quero conhecer - o amor - é exatamente a matéria que uso para falar - o discurso amoroso. A reflexão me é certamente permitida, mas essa reflexão é logo incluída na sucessão das imagens, ela não se torna nunca reflexividade: excluído da lógica - que supõe linguagens exteriores umas as outras - não posso pretender pensar bem. Do mesmo modo, mesmo que eu discorresse sobre o amor durante um ano, só poderia esperar pegar o conceito "pelo rabo": por flashes, fórmulas, surpresas de expressão, dispersos pelo grande escoamento do Imaginário. Estou no mau lugar do amor, que é seu lugar iluminado: 'O lugar mais sombrio...' - diz um provérbio chinês - 'é sempre embaixo da lâmpada.'

Barthes, em Fragmentos de um Discurso Amoroso

terça-feira, 16 de agosto de 2011

boiam leves, desatentos



Boiam leves, desatentos
Meus pensamentos de magoa,
como no sono dos ventos,
As algas, cabelos lentos

Do corpo morto das aguas.
Boiam como folhas mortas,
A tona de aguas paradas.
São coisas vestindo nadas,

Pós remoinhando nas portas
Das casas abandonadas.
Sono de ser, sem remadio,

vestigio do que não foi,
Leve mágoa, breve tédio,
Não sei se para, se flui;
Não sei se existe ou se dói.


Fernando

roubado da teté

img: biel carpenter

quinta-feira, 28 de julho de 2011

lonely



. é impossivel, percebo eu, penetrar a solidao de alguém. se é verdade que podemos conhecer outro ser humano, mesmo que em grau reduzido, é apenas na medida em que ele deseja se deixar conhecer... onde tudo é intravavel, tudo é hermético e evasivo, nao se pode fazer mais que observar. mas se há possibilidade de deduzir algo do que se obeserva, é um assunto completamente diferente. nao quero deduzir nada.

paul auster

roubado da stelinha


img: margot & richie, dos excentricos tenembauns - wes anderson

your life is your life




your life is your life
don’t let it be clubbed into dank submission.
be on the watch.
there are ways out.
there is a light somewhere.
it may not be much light but
it beats the darkness.
be on the watch.
the gods will offer you chances.
know them.
take them.
you can’t beat death but
you can beat death in life, sometimes.
and the more often you learn to do it,
the more light there will be.
your life is your life.
know it while you have it.
you are marvelous
the gods wait to delight
in you.


charles


roubado da ana carolina n.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

lonely



"O que muito o desassossegava era não achar por ali outro ermitão que o confessasse..."

dom quixote

fading parade

2011

the last one, by the papercuts

get down:

quarta-feira, 29 de junho de 2011

del chifre's beach

como eu queria ter coragem.
nesta terça feira às 20h17 à beira do abismo.